Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

A Natureza Não é Reciclável



O afastamento da vida dos humanos do contato com a ordem natural das coisas, ao invés de proporcionar mais felicidade, produz uma ansiedade constante de busca pela posse de tudo o que é supérfluo, transmutado pelos agentes de propaganda como essencial e assimilado pela sociedade cada vez mais consolidada na obsessão do sexo do estômago e da ambição.

Curioso é que, ao tomarmos posse desses bens, indicadores hierárquicos da escala social civilizada, logo novos e assombrosos produtos aliciantes os substituem, mantendo-nos escravos de sistemas económicos governamentais apostados em cimentar a desigualdade, a inimizade e a contenda tanto entre concidadãos como, decorrente de ganâncias económicas muito mais obscenas, entre raças diferentes.

Entregue a si próprio e sem uma figura soberana de referência, a perversidade inerente ao caracter do homem civilizado é demasiado arreigada para que dela se possa contar com algo mais do que devastação, ganância, ódios, litígios, animosidades, mas também está mais que comprovado que não é com sistemas políticos constitucionais que se alcança a equidade social, uma vez que estes realmente não governam mas antes são governados pelas poderosas companhias económicas. Então qual a solução?

Pessoalmente não tenho qualquer tipo de esperança em que a verdadeira liberdade seja alguma vez estabelecida e que a humanidade reverta o estado das situações a que chegou, pela simples razão de que a maioria não está em condições de aceitar o oposto do que existe, isto é, drástica redução do consumo, mais fraternidade e mais partilha (escrever "mais" é hilariantemente triste, porque pressupõem que hoje em dia existe "alguma").

Todas as soluções que possam converter a atual sociedade consumista numa sociedade justa e modular passam por uma completa irradicação de qualquer sistema económico e pela redução rigorosa do número de seres humanos.

Um exemplo de quanto seria necessária a redução de seres humanos pode-se aferir da notícia que li hoje num jornal e que tem o seguinte cabeçalho: "Cerca de 50 pessoas participaram numa feira em Lisboa onde a troca é a única moeda"... Leram bem?... 50 pessoas... Meus deuses, está tudo contente com a condição de escravo... Se alguma vez a notícia for: "Cerca de 50 pessoas NÃO participaram na feira onde a troca é a única moeda", então a humanidade estará no bom caminho. Até lá é dois passos prá frente, três pra trás!


Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Política de Guerra


Dezenas de milhares de mortos, uma população traumatizada, infraestruturas largamente destruídas e um Estado desintegrado: eis o resultado da guerra levada a cabo pelos EUA e pela NATO para poderem saquear a riqueza da Líbia e recolonizar este país. Agora, largamente apoiados por Israel, preparam descaradamente a guerra contra a Síria, para finalmente terem o corredor aberto para atacarem o Irão, dois países estrategicamente importantes, ricos em matérias-primas e que visam políticas independentes, sem se submeterem à ditadura imperialista dos EUA e seus aliados.

Um ataque da NATO à Síria ou ao Irão poderia provocar um confronto direto — de consequências inimagináveis — com a Rússia e com a China. Através de contínuas ameaças de guerra e da deslocação de forças militares para as fronteiras do Irão e da Síria, sem falar das ações terroristas e de sabotagem levadas a cabo por "unidades especiais" infiltradas, os EUA e outros membros da NATO impõem um estado de exceção aos dois países com o objetivo de os esgotar.

Os EUA e a UE procuram de modo cínico e malévolo paralisar cirurgicamente através do embargo o comércio externo e as transações financeiras destes países. De forma deliberada, tentam precipitar a economia do Irão e a da Síria numa grave crise, fazer aumentar o número dos seus desempregados e piorar drasticamente a situação de aprovisionamento das suas populações.

Com o fim de obterem um pretexto para a intervenção militar, há muito tempo planeada, tentam agudizar os conflitos étnicos e sociais internos e provocar guerras civis. Com esta política de embargo e de ameaças de guerra contra a Síria e contra o Irão colaboram em medida notória a União Europeia e o governo português.

Fonte
http://resistir.info/

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

EUA - Breve História da Barbárie Contemporânea (O Extermínio Dos Nativos Norte Americanos - Epílogo)


"A cultura política é um produto a longo termo da História. Como tal, é obviamente específica a cada país. A cultura política norte-americana é claramente diferente da que emergiu da história do continente europeu; foi moldada pela colonização da Nova Inglaterra por seitas protestantes extremistas, pelo genocídio dos povos indígenas, pela escravização dos africanos e pelo surgimento de comunidades etnicamente segregadas como resultado de sucessivas vagas de migração ao longo do século XIX."

"O genocídio dos norte-americanos nativos estava implícito na lógica da missão divina do novo povo escolhido. O seu massacre não pode ser simplesmente assacado à moralidade de um passado distante e arcaico. Bem até à década de 60 do século passado, o ato de genocídio era proclamado de forma aberta e orgulhosa. Os filmes de Hollywood contrastavam o “bom” vaqueiro com o “mau” índio e este travestimento do passado foi central na educação de sucessivas gerações."

Samir Amin

Hoje em dia, nada mudou a esse respeito e continua a acontecer, como outrora, uma propaganda educativa do incitamento ao ódio genocida por parte da comunicação social e do sistema governamental dos EUA, mostrando imagens de soldados americanos urinando sobre cadáveres de afegãos, de líbios negros sendo espancados e humilhados, de helicópteros metralhando indiscriminadamente civis nas ruas e de muitas outras, alegremente assimiladas pela população daquele país.

O governo dos EUA, por intermédio das suas agências terroristas de espionagem e das suas tropas sanguinárias, logo após ter extinguido as chamas do inferno que ateou no território americano, voltou-se para o resto do mundo para aí criar o inferno fora de portas, com a ajuda dos governantes dos outros países que aprovaram, ajudaram ou participaram no aniquilamento social, chacinando populações um pouco por toda a parte, à imagem do genocídio dos povos indígenas da América do norte.





Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

EUA - Breve História da Barbárie Contemporânea (O Extermínio Dos Nativos Norte Americanos - Parte VII)


A partir de meados do século XIX assistiu-se a uma política de assimilação forçada (allotment period and forced assimilation), onde crianças indígenas eram punidas nas escolas por usarem trajes típicos, por praticarem cerimónias tribais e pelo uso da língua nativa; estes exemplos eram indicativos de que as tradições tribais eram inimigas do progresso.

Para que a política oficial do governo americano do tempo de Washington e Adams, quando os índios eram necessários como batedores e soldados, fosse substituída, era necessário que os índios fossem parar ao limbo do formalismo jurisprudencial da época.

À luz de uma reflexão mais profunda, o momento transita com as complexidades jurídicas de acomodação de ideais "democráticos", de elementos decorrentes e de subprodutos do capitalismo; tratados eram assinados, mas jamais eram honrados; negou-se cidadania, negou-se também estado político autónomo, sob a retórica protecionista, porta-voz de inegável homicídio.

A opinião do juiz Marshall, do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que analisou o caso, centrou-se numa dubiedade que matizava a sua linha de pensar. Desenvolve raciocínios simpáticos para com os índios que na conclusão despreza, ao não os aceitar como nação livre e independente, reduzindo-os a grupos domésticos e dependentes.

De acordo com o recenseamento de 1990 existiam nessa altura 1.959.000 nativos norte americanos nos EUA, menos de 1% da totalidade da população do país. Antes da chegada dos colonos crê-se que o seu número podia ascender aos 75.000.000. Foram chacinados pelo governo, exército e população branca dos EUA cerca de 73.000.000 de indígenas, o que constitui, de longe, o genocídio mais atroz da história da humanidade.


Aforismos XXXII


Depois de uma campanha eleitoral animada, a grande vantagem de qualquer eleição democrática é a de o povo sair, finalmente, da sala de estar dos políticos.

Depois de qualquer eleição a sensação dos políticos – quer tenham perdido quer tenham ganho – é a de que o povo mais profundo acaba de entrar num comboio, dirigindo-se, compactamente, para uma terra distante, de onde voltará apenas nas semanas que antecedem a eleição seguinte.

Esse intervalo temporal é indispensável para que o político tenha tempo para transformar, delicadamente, o ódio ou a indiferença em nova paixão genuína.

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

EUA - Breve História da Barbárie Contemporânea (O Extermínio Dos Nativos Norte Americanos - Parte VI)


A morte de Custer, nove dias antes da celebração do primeiro centenário do nascimento dos EUA, mobilizou a opinião pública norte-americana, os jornais e os membros do Congresso para intensificarem o extermínio indígena. Um exército que perfazia dez soldados para cada combatente indígena, foi enviado para o território que compreende o que hoje são os estados da Dakota do Sul e do Norte, Montana e Wyoming, com a intensão de erradicar os indígenas destas terras.

Em 1890, Touro Sentado voltou do seu refúgio no Canadá e, no mesmo ano aconteceu o massacre de Wounded Knee realizado pela Sétima Cavalaria, que barbaramente assassinou cerca de 250 Sioux Lakota, na sua maioria mulheres e crianças (na foto acima, uma das valas comuns onde foram enterrados os indígenas mortos).

Já em 1830, o presidente Andrew Jackson havia determinado a remoção de várias tribos, Cherokee, Chickasaw, Choctaw, Creek e Seminole, entre os anos de 1831 e 1838, das terras mais ricas do sudeste americano, para reservas miseráveis a milhares de quilómetros de onde moravam, tendo que cumprir o trajeto a pé, sob a pressão dos mercenários militares americanos. Só entre os Choctaws, cerca de 6.000 morreram durante a remoção.

Em média, 1/3 da população morreu por não conseguir fazer a épica travessia. Por isso esse acontecimento passou para a história como a Rastro das Lágrimas. O estado da Georgia queria obter o direito de dispor das terras indígenas demarcadas por tratados dos tempos coloniais para poder entregá-las à especulação de terras. No desejo de o fazer o mais rápido possível, enviou corretores e agiotas para essas terras, a fim de efetuarem demarcações e loteamentos antes mesmo que os índios fossem obrigados a abandonar o local.

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Deuses e Demónios

Não costumo martirizar o pensamento com desígnios que o ultrapassam. Acredito no Sol, na Lua, na Terra, nos planetas e nos universos, no que está aqui, nos acasos fortuitos que proporcionaram o equilíbrio para que a existência, como a conheço, seja possível. Acho extremamente improvável que quando o sopro da vida se extinguir haja qualquer coisa que lhe sobrevenha… Mas nunca se sabe… A imponderabilidade, para mim, não é mais que isso; uma palavra que significa o que não pode ser pesado… Acredito no intelecto sábio, não acredito na religiosidade insensata...

"Nesse momento pensei em Ti, talvez porque acabara de ver uma Bíblia na gaveta da mesinha de cabeceira ou provavelmente porque sempre Te achei alguém bastante sombrio.

Eu vi o demónio. E independentemente do que possas dizer sobre ele, não podes negar que é empreendedor. Definitivamente, não se senta com as mãos no regaço, discutindo com ele próprio.

Não diz:- E se eu fizesse isto, e se fizesse aquilo?

Não pergunta:- Devo incendiar tudo? Talvez fosse melhor deixar que outros tratem disso. Ou esperar até amanhã. Sim, suponho que seja melhor adiar até amanhã.

Não, ele não se esquiva às tarefas, e os resultados da sua obra podem ver-se todos os dias. Guerra, doença, morte e fome; falsas promessas e ganância, inveja e desonestidade. Vira uma pessoa contra outra e a humanidade há de estar eternamente dividida em duas fações. Ouvimos segredar nas esquinas sombrias e sabemos que estão a ser maquinadas conspirações. Não, a sua obra não deixa ninguém de fora. Está sempre ocupado, o companheiro lá de baixo.

Mas Tu? Então e Tu? Onde estás quando é preciso? Porque Te escondes na névoa nessas alturas?

Em tempos ter-me-ia zangado Contigo. Não te conseguia entender e costumava olhar para o meu coração, na crença cega de que era responsável pela minha própria felicidade. Mas os meus olhos foram-se abrindo gradualmente e comecei a suspeitar que a Tua indiferença não era acidental. Será um cobarde?, perguntei-me, ou talvez já não se preocupe com a contenda. Faz com que as pessoas vivam na esperança da salvação, prometendo-lhes a vida depois da morte.

Se acredito na Tua existência? Oh, não sei. Sem dúvida sentir-me-ia melhor se pudesse responder incondicionalmente de uma forma ou de outra, mas infelizmente não é possível. Chego por vezes a confundir-vos aos dois, Tu e o teu companheiro lá de baixo. Qual dos dois poderá estar por detrás disto?, pergunto-me às vezes quando folheio um jornal e leio uma notícia acerca de um desastre, mas nunca descubro a resposta. Então, através da janela o sol brilha na minha mesa, nos cogumelos, amoras, patos ou gansos, e o vento sussurra doces nadas ao choupo e os meus pensamentos viram-se felizmente para outras coisas."

Olaf Olafsson, O Regresso a Casa.

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

A Líbia Hoje - Prenúncio de Guerras Tribais


Alguns meses após a NATO ter declarado mais uma vitória e ter cessado de bombardear sistematicamente todos os edifícios e moradias das cidades líbias, transformando em ruínas esse país do Terceiro Mundo, sem defesa militar, que foi atacado, com o mais moderno arsenal bélico, pelos maiores exércitos do Primeiro Mundo, a vida é hoje muito mais complicada na Líbia.

Por exemplo, no verão, antes de 21 de agosto, se você se cruzasse numa rua lateral com tipos com caras de poucos amigos e fortemente armados, era só murmurar “Alá, Muammar, Líbia, al bas” e havia fortes possibilidades de ser bem tratado e bem recebido. Hoje, isso é muito mais difícil. Para cima de 55 milícias rebeldes diferentes, num total de mais de 30 mil homens armados, controlam diversas áreas de Trípoli, e muitas dessas milícias não têm qualquer ligação direta com o Comandante Belhaj, chefe do Comando Militar de Trípoli, e não se sabe, de fato, a quem obedecem.

Belhaj, ex-comandante da Al-Qaeda, esteve preso na Líbia durante sete anos, quando EUA e Grã-Bretanha o entregaram ao governo de Kadhafi, como parte de um programa dos serviços secretos daqueles países, que entregavam prisioneiros para serem interrogados em ‘ditaduras amigas’ dos EUA e Grã-Bretanha. O partido de Belhaj, que está sendo formado com quadros da Fraternidade Muçulmana, tem boas hipóteses de vencer as eleições previstas para o próximo mês de junho. A milícia comandada por Belhaj é a terceira, em tamanho, em Trípoli. A maior das milícias que operam na cidade é comandada por Salh Gait e, segundo o seu vice-comandante, reúne 5.000 homens e continua recrutando.

As escaramuças entre as várias milícias não são noticiadas, embora o governo de transição não faça outra coisa senão repetir que, afinal, há no país total liberdade de imprensa, para os, dizem eles, 43 jornais e revistas editados livremente na cidade. O que mais chama atenção nessa “nova Líbia livre, nova imprensa livre” é que 100% de tudo que se publica são matérias favoráveis ao “novo governo”.

O que mais enfurece muitos, hoje, em Trípoli, é que o novo governo não dê qualquer sinal, sequer, de suspeitar da existência dos problemas criados pelas diversas milícias, como os das dezenas de milhares de líbios desaparecidos encarcerados em prisões secretas das milícias que não obedecem ao CNT e que nem sequer lhe reconhecem qualquer autoridade… Ou como o sequestro de mulheres nas ruas, obrigadas a servirem como escravas nas casas convertidas em fortalezas das milícias armadas…. Ou ainda a ocupação indiscriminada de centenas de casas que foram invadidas por gangues rebeldes, saqueadas, e muitas delas já vendidas e compradas nos mercados de rua.

Depois de invadidas e saqueadas as casas, muitos membros das milícias parecem ainda ter tido outra ideia. Para quê voltarem, por exemplo, para Benghazi ou Misrata, se podiam ficar a viver em Trípoli, com relativo luxo? Centenas de milicianos estão a fazer isso. “São sempre pesadamente armados, vivem do pequeno soldo que as milícias pagam, e moram naquelas casas; alguns até alugam quartos e cobram aluguer. É como se o novo governo não tivesse interesse em qualquer tipo de investigação porque não querem investigadores internacionais na cidade, fazendo perguntas."

Líbios que viviam no interior do país, e os que se refugiaram em países vizinhos, estão voltando às suas tribos originais, e começam a organizar-se para pôr fim a esses e a muitos outros problemas. Um dos locais onde se ouve dizer que a situação está prestes a explodir em violência, são áreas como Bani Wallid e Sirte, onde a NATO e seus aliados locais mataram um número de civis que nem os grupos de direitos humanos sabem estimar com precisão.

Se, há um ano, havia divisões tribais ou disputas por território entre as tribos, hoje os problemas estão multiplicados por 500. As tribos estão a armar-se e já deram ao novo governo vários prazos para que comece a reconstruir as casas e os estabelecimentos comerciais que foram destruídos, para ajudar as famílias que perderam tudo, para desarmar os milicianos que andam pelas ruas, e para desmobilizar os gangues armados, fazendo os milicianos voltarem para as cidades de origem. Até agora, o novo governo nada fez nesse sentido, e as pessoas estão cada dia mais furiosas.

“A nossa história, a nossa cultura, a nossa dignidade estão ameaçadas. É responsabilidade das tribos limpar o país, expulsar daqui esses fora-da-lei, exatamente como já fizemos com os colonizadores italianos.” “Sabemos quais as tribos que trabalharam aliadas à NATO e traíram os seus deveres tradicionais. Também aconteceu no tempo dos italianos e ao longo do tempo, quando tribos se aliaram às empresas estrangeiras de petróleo. Vamos à guerra, para restaurar a trilha dos povos líbios, sem ignorar os erros que foram cometidos pelo governo de Kadhafi, mas sem esquecer que temos apoio de 90% da população nas áreas da tribo Wafala, como Ban Walid; e de cerca de 60%, em Trípoli. Kadhafi está morto. Mas muitas de suas boas políticas prosseguirão".

Excerto de um artigo de Franklin Lamb, adaptado livremente a partir de uma tradução publicada no blog Movimento Mancha Verde. http://amarchaverde.blogspot.com/

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Ditadura Made in USA


A mais poderosa corja de terroristas assassinos que o mundo jamais viu e que compõem a totalidade da máquina do poder civil e militar dos EUA está a aprontar mais uma, como é habitual. Desta vez preparam-se para promulgar uma lei que possa permitir a intervenção judicial e criminalizar qualquer conteúdo textual publicado na Web que seja considerado “perigoso” para os interesses do governo/exército norte-americano. E a população americana, constituida na sua maioria por trogloditas imbecis com o cérebro bem lavadinho e atrofiado pela mídia, aplaude.

E como se não bastasse preparam-se também para legalizar o que tem vindo a ser feito na américa do norte desde que os brancos aí chegaram: A prática generalizada de tortura e o encarceramento pela mais leve suspeita de ligações com a defesa da integridade individual e coletiva contra os interesses predatórios de Washington, coisa que por aquelas bandas é apelidado de ”terrorismo”... A fachada começa a ser fácil de desmontar e a evidência dos EUA como um regime ditatorial, militarista e terrorista, está a tornar-se impossível de encobrir.

Os híper tecnológicos criminosos americanos, não conseguindo esconder por muito mais tempo as suas práticas de atrocidades brutais, começam aos poucos a ter de deixar cair a máscara com que, arvorando-se em serem os bastiões dos direitos humanos, intrujavam os cegos deste mundo, e a mostrar as suas verdadeiras facetas dos mais cruéis praticantes da barbárie humana da atualidade. È impreterível que todos os que identificam o imperialismo como uma alarmante ameaça à continuidade da vida contribuam para o desmascaramento e isolamento do regime sanguinário dos EUA.

Não fiquei minimamente admirado que em Portugal este inquietante assunto nem seja praticamente aflorado. “Os analistas de serviço e os midia ditos de referência ignoram o tema, numa demonstração da vassalagem neocolonial da escória humana que oprime e humilha Portugal.” Se não estivermos atentos, os meios de comunicação social farão com que odiemos os oprimidos e idolatremos os opressores.




Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Gerações Roubadas



Quem tem filhos, imagine que, um belo dia lhe aparecia à porta uma carrinha do governo de onde saía um inspetor que lhe dizia que agora ia levar os seus filhos para um lugar onde seriam educados pelo estado, para bem deles. Imaginem como se sentiriam ao verem as crianças serem-lhes arrancadas à força e metidas no veículo, berrando por vocês que as viam aos poucos desaparecer a olhar pelo vidro traseiro, sabendo que nunca mais as iam ver, que nada podiam fazer a esse respeito, que não havia nenhum tribunal que tomasse o vosso partido e ninguém a quem pudessem recorrer.

Isto foi o que aconteceu aos povos nativos da Austrália entre 1910 e 1970, numa experiência de engenharia social que ficou conhecida como as Gerações Roubadas. Ninguém sabe o número certo de crianças que foram tiradas aos seus progenitores e encarceradas em campos de concentração disfarçados de lares de acolhimento ou centros de formação do estado, mas estima-se que metade das crianças aborígenes foram desse modo roubadas ás suas famílias. O que daí resultou foram elevados graus de alcoolismo relacionados com a dor, e níveis de suicídios a dispararem vertiginosamente.

Os brancos cristãos vêm-se a si próprios como os únicos seres vivos providos de emoções apossando-se do direito de usufruir de todas as outra formas de vida da Terra como muito bem lhes apraz. Em 1938, Dasy Bates, uma irlandesa que tinha emigrado para a Austrália e vivido uns anos entre os aborígenes, escreveu no seu livro A Passagem dos Aborígenes o seguinte: “O nativo australiano consegue suportar todas as contrariedades da natureza, secas demoníacas e dilúvios impetuosos, horrores da sede e fome forçada – mas não consegue suportar a civilização”


Baseado no livro Down Under de Bill Bryson

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

Maravilhosa Civilização


Na Austrália existem perto de 700 espécies de eucaliptos, quase todas nativas desse país continente. Dizem que as mais raras são duas espécies que dão pelo nome de karri e jarrah e que se encontram exclusivamente no sudoeste australiano, sendo a espécie karri o eucalipto de maior envergadura do mundo (pode atingir uma altura de 80 metros e um perímetro de, pasme-se, 15 metros)

Ora, é algo semelhante a um milagre que a espécie jarrah ainda exista, pois trata-se provavelmente da árvore com mais pouca sorte do mundo, a par da que dá pelo nome de pau-rosa.

Então não é que aquele enorme colosso deu para se especializar em crescer em solos ricos em bauxite, um mineral muito valioso! Nos primeiros 60 000 anos de ocupação humana do continente, a coisa, sem sistema económico delapidante, corria favoravelmente equilibrada.

Nesse espaço de tempo dizem que a população aborígene da Austrália atingiu a cifra de um milhão de indivíduos. Há pouco mais de 200 anos chegou o humano branco e hoje em dia o número destes já ascende a 16 milhões de seres.

Mas estou-me a afastar do que me traz aqui hoje. Então, nos anos 50 do século passado, quando o fantástico homo economicus (também chamado de homem civilizado) descobriu a relação entre o jarrah e o terreno onde medrava, reparou que podia obter dois lucros enormes numa só área de terreno.

Vai daí toca a derrubar as árvores e a vender a sua preciosa madeira e depois a desenterrar a bauxite esplendorosamente comercial. Que melhor vida pode haver para quem não lhe pesa a consciência em destruir grandes áreas de floresta de primeira qualidade, constituída por uma espécie que não existe em mais lado algum e substitui-las por enormes crateras horrorosas?

Os engenheiros de minas e os seus colegas silvicultores, advogando sem corar “o método de regeneração pela total exposição ao sol” despojaram-se de quaisquer problemas de consciência e foi-lhe dada a democrática liberdade para, em três dúzias de anos reduzir drasticamente as floretas de jarrah, e ainda mais as raras e insubstituíveis florestas de karri, existentes há tempos imemoriais.

“Só para ter uma perspetiva nesta matéria, tenha-se em conta que a Austrália é o continente menos arborizado (com exceção da Antártida, obviamente) e, ainda assim, é o maior exportador de aparas de madeira. Parece-me que existe uma certa discrepância matemática entre, por um lado, ter muito poucas árvores e, por outro, ser a maior industria exportadora de lascas do mundo.”

“Segundo William J. Lines, entre 1976 e 1993, a Austrália perdeu um quarto das suas florestas karri para produção de lascas de madeira. Lascas de madeira! Aquela gente precisa de ser vigiada.”

Baseado (e, ás vezes, transcrito) no livro Down Under de Bill Bryson.





Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Ode a um Novo Ano



Os banqueiros mafiosos
Ogres cruéis e execráveis
Com os governos criminosos
Formam bandos intocáveis

Todos fazem do planeta
A sua orquestra privada
Têm por música predileta
O estrondo da bombarda

As pessoas gritam e correm
Os poderosos rejubilam
Com o coro dos que morrem
E os feridos que desfilam



Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

EUA - Breve História da Barbárie Contemporânea (O Extermínio Dos Nativos Norte Americanos - Parte V)


Os Cheyenne, por conta das marchas da morte, que foram obrigados a realizar pelo governo americano, enfrentaram ainda outros extermínios. Em novembro de 1864 houve o Massacre do Riacho de Areia, seguido por outros atos de genocídio e mutilações, que fizeram com que os Cheyenne não tivessem alternativa, a não ser entrar em constantes guerras com soldados e colonos ianques, o que causou quase a extinção desta tribo.

Em 1874 foi descoberto ouro nas Terras Sagradas dos Sioux e Cheyenne, em Black Hills e em poucos dias milhares de aventureiros invadiram essas terras. As batalhas entre exploradores e indígenas foram sangrentas e, para garantir a extração do ouro, o governo norte-americano resolveu expulsar os nativos das suas terras e levá-los para reservas.Touro Sentado recusou-se a partir e o exército ianque foi mobilizado para remover os Sioux da região.

Touro Sentado, (1834-1890) nasceu nas proximidades do Grand River, em Dakota, na tribo Hunkpapa da linha Sioux e era curandeiro.Cavalo Louco (c. 1840-1877) nasceu na tribo Oglala Lakota da linha Sioux e participou em 1866 naquela que foi considerada a pior derrota que o exército norte-americano sofreu nas mãos dos índios naqueles tempos, perto de Fort Kearny, no território do Wyoming.

Ameaçados pelo exército dos Estados Unidos, e cansados das invasões dos homens brancos às suas Terras Sagradas em Black Hills, Touro Sentado (Tatanka Iyotake) e Cavalo Louco (Tashunkewitko), convocaram os guerreiros Sioux, Cheyenne, Arapaho, Hunkpapas, Sans Arc, Pés Pretos, Miniconjou, Brule, Oglala, kettles e arikara para seu o acampamento no vale de Little Bighorn , para lutarem juntos e defenderem as suas terras e famílias, contra a expedição de Custer, para quem um índio bom era um índio morto.

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Frio Que Queima



Encerrou-se este mês um ciclo. A chama foi confiada irreversivelmente aos meus cuidados e a questão é: Saberei o que fazer com ela para que não se extinga quando chegar o momento do grande frio e o vento adormecer de repente nas cinzas de neve? Saberei deixar tudo o que é bom não ser desperdiçado? Do pouco que aprendi as certezas são escassas e, fora das evidências, julgo que nenhuma… A evidência de que todas as relações são recíprocas é que quando lhes tocamos elas tocam-nos também e, geralmente, quando deixamos de lhes tocar, permanecem indivisíveis até o tempo olvidar e tudo absorver.


Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Terroristas Saem do Iraque


Felizmente para mim, não acredito em nada do que ouço e só acredito em metade do que vejo, portanto não me irrita muito ouvir mentiras, tanto para mais que é impossível qualquer ser humano minimamente instruído passar um dia inteiro só dizendo verdades pois, como todos sabem, a verdade é privilégio dos iletrados.

Notícias na televisão é coisa que vejo e ouço pouco mas quando o faço deparasse-me sempre um chorrilho de mentiras, que chega para me questionar se realmente existe alguma notícia que não seja deturpada, desconstruída desvirtuada e descompensada, ao bom jeito do modo de vida contemporâneo.

Noticiou-se a saída das tropas de ocupação americanas do Iraque, em que o jornalista forneceu os números dos mortos de cada lado. Para além de cerca de quatro mil norte-americanos, foi referido um número rondando os cento e tal mil civis iraquianos…Tá bem abelha…

No ocidente, se estamos à espera de saber algo próximo da verdade através dos órgãos de comunicação social, bem podemos esperar sentadinhos, portanto o que me interessa é que as tropas ao serviço do governo de assassinos norte-americano, após instaurarem uns anos de terror em mais um país, fomentando a guerra civil, torturando e matando indiscriminadamente, lá vão outra vez para casa com o rabinho entre as pernas, deixando atrás um rasto de destruição.

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

Aforismos XXXI


A ciência apenas alimenta o ego dos ignorantes.

O Inferno não são "os outros", mas o rasto de morte que deixámos ao viver.

Se pensarmos que Deus è mau, a questão do Mal fica totalmente esclarecida.


Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Pagar Mais Impostos é Muito Bom Para Quem Paga Mais Impostos


- A questão é simples: os impostos servem para melhorar a vida do país. Certo?
- Certo.
- Portanto...
- Portanto: quanto mais impostos um individuo pagar, mais o país melhora a sua qualidade de vida.
- Ou seja...
- Ou seja: quanto menos dinheiro cada pessoa tiver por mês para viver - pelo fato de pagar mais impostos - mais dinheiro tem o país, no geral.
No limite: quando alguém compra um pão com manteiga e o come, está, objetivamente, a roubar esse pão ao país
- Exato.
- Viva pois o país - exclamou o Primeiro Auxiliar.
O segundo concordou.
- A questão é: estamos ao serviço dos interesses do cidadão singular ou do país como um todo?
- Do país como um todo, Chefe! - gritaram, em uníssono, os Auxiliares.
E repetiram ainda, com os braços levantados:
- Como um todo! Como um todo!
- E o país pertence a todos! - insistiu o Primeiro Auxiliar.
- Exato. A todos.
- Portanto, se o nosso objetivo patriótico é melhorar a qualidade de vida do país, o que temos a fazer é...
- Piorar a qualidade de vida de cada cidadão!
- Aí está!

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Kraus

Editorial Caminho, 2005

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

Incompetência Crónica



É evidente que os governantes deste país só têm capacidade para governar quando tudo corre com relativa estabilidade (para alguns), mas deparando-se com qualquer espécie de crise que lhes exija medidas realmente eficazes, ái ái ái, aí agem como qualquer vulgar cidadão que face à adversidade mais não enxerga que cortes salariais e aumento de impostos.

À semelhança dos desportistas, os políticos não passam de adolescentes crescidos com egos delicados e as medidas de contenção preconizadas por este e pelos anteriores governos não necessitavam de licenciados pagos a peso de ouro para serem idealizadas.

Nem sequer é necessário ter muitos estudos para perceber a incapacidade crónica que transborda das bem-falantes mentes incompetentes que, rotativamente, nos governam. Para exemplo basta referir o que foi feito nestes 38 anos de “democracia" onde, "a luta contra a corrupção deveria ser uma tarefa fundamental das entidades públicas. Mas (...) o que se tenta prevenir de facto...é o combate à corrupção."

E, sem queimar neurónios e com um pouco de reflexão, qualquer ser com um coeficiente de inteligência mediano encontraria uma lista de medidas que realmente ajudariam o país a sair do buraco em que todas as sucessivas levas de governantes, mais preocupados em assegurar o provimento financeiro de alguns do que o do país, o meteram.

Como não tenho nem tempo, nem vontade, nem prazer em passar demasiado tempo a manusear esta geringonça digital, surripiei de um comentário de um anónimo a um artigo de um conhecido blog algumas medidas que aqui reproduzo e que, a serem implementadas até dava para aumentar salários e diminuir impostos… E o resto são cantigas!...

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-presidentes da República.

2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Regimes de aposentadoria como qualquer outro cidadão. Terminar com as mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Acabar com o financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

6. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc., das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo país e acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias, para servir suas excelências e toda a sua prole oficial ou extra-oficial...

7. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos e colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.

8. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.

9. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de Penafiel tem sete administradores principescamente pagos... pertencentes às oligarquias locais do partido no poder.
10. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

11. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

12. Resolver sériamente a trapalhada do BPN e BPP.

13. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.

14. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

15. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

16. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

17. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".

18. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do país, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;

19. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária para que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".

20. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.

21. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

22. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

23. Pôr os Bancos a pagar impostos.

Pois é, humm... era um pouco complicado, não era… o Poder taxar os poderosos e retirar-lhes mordomias!...nãããã!... Mais fácil é mesmo reduzir salários de quem trabalha e aumentar os impostos para aqueles que são obrigados a gastar o pouco que recebem por trabalhar, em artigos maioritariamente comercializados por aqueles para quem trabalham.

Vencimentos com valores médios em termos de carreira...

Polícia...............€ 800,00 – Supostamente para arriscar a vida.

Bombeiro...........€ 960,00 - Supostamente para salvar vidas.

Professor...........€ 930,00 - Supostamente para preparar para a vida.

Médico...........€ 2.260,00 – Supostamente para manter a vida.

Deputado...... € 6.700,00 – Supostamente para quê?...


Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

O Elogio da Preguiça XXIX


Não há, até à vertigem dos sentidos, ao abandono erótico, deliciosos companheiros da preguiça mais imemorial, ninguém que não tenha sido recuperado pela moral liberal para se encontrar, como que obrigado, inscrito no caderno de encargos do dever de felicidade. Ao corpo-produto, o bom prazer confere doravante o seu valor.

Nova reviravolta. Na conceção tradicional da opressão burguesa, sublinha Guillebaud, “era a força de trabalho dos pobres, dos operários, das suas mulheres e dos seus filhos que era preciso proteger do esbanjamento. […] O livre acesso ao prazer teria ameaçado o benefício porque o trabalho dos mais pobres era a condição do seu aparecimento.”

Hoje, “o trabalho do grande número já não é um fator determinante na criação de riquezas. O desemprego obcecante é um sinal disso. […] A consequência impõe-se por si própria: que o povo faça, portanto, o que quiser ao seu desejo! Aos olhos de um capitalista, as coisas são bem claras […]: a desordem permissiva é hoje mais rentável do que a ordem moral.”A embriaguez e a efusão debochadas pela World Company.

Cyrill Frey, O Livro da Preguiça.

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Fundamentalismo Judaico-Cristão Contemporâneo





Torna-se cada vez mais evidente que a velha máxima militarista “dividir para conquistar” é usada com êxito por Washington para alcançar os seus propósitos de dominação mundial. A mais descarada das demonstrações desta política é patenteada no que aconteceu até hoje, e virá a acontecer no mundo árabe, onde a destruição da estrutura social é igualmente prática generalizada.

Todas as pretéritas intervenções de apoio político-militar aos países árabes, por parte dos EUA, aconteceram para imposição de regimes totalitários que, à mistura com umas quantas ações terroristas encenadas pelo governo americano, permitissem a futura invasão desses países, com a desculpa esfarrapada da luta contra ditadores, terrorismo e proteção dos povos desses países.

Aconteceu assim no Afeganistão onde Washington derrubou o regime democrático e colocou no poder o regime Talibã, para seguidamente justificar o assolamento desse país e incrementar a produção e consumo de heroína, como anteriormente tinha acontecido no Paquistão, minando e enfraquecendo uma sociedade outrora livre desse pesadelo. Aconteceu o mesmo no Iraque onde colocou Saddam Hussein para depois justificar a destruição e o saque das reservas petrolíferas. Aconteceu na Líbia onde legitimou Kaddafi para depois fomentar a pilhagem a devastação e, naturalmente, a apropriação das reservas combustíveis.

E se, continuando a tradição de todos os seus antecessores, George W. Bush é um facínora sanguinário exaltado pela alva poeira que lhe entra pelo nariz, Obama é um digno prossecutor dos mesmos ideais de bestialidade que fazem dos EUA a potência mais talentosa no domínio da carnificina.

A Síria é a próxima candidata a ser "ajudada" pela Nato e por Israel a entrar na "democracia" para dar continuidade à grande cruzada dos novos fundamentalistas cristãos e aliados judeus, que juntos formam uma corja de perigosos bárbaros promotores da doutrina do “povo escolhido”, investido com uma missão divina. Washington e Tel Aviv estão a fomentar a intriga e a revolta na Síria, com a intenção de justificar uma intervenção militar e enfraquecer mais uma nação árabe, preparando o cerco para o assalto ao Irão.

Posso muito bem estar enganado, mas pressinto que toda esta maquinação tem como objetivo final uma consolidação económica e militar estratégica com vista à destruição da China, o único país que ainda se poderá interpor entre os desígnios totalitários da união da Europa federalista e dos EUA com vista á imposição da Nova Ordem Mundial, que sempre foi a finalidade para a qual foi criada esta crise económica completamente fictícia.

É necessário ficarmos cientes que os EUA são uma nação de regime militarista, tão perigosa quanto o são os seus dementes adolescentes que desatam aos tiros nas escolas, e para a qual a paz jamais terá qualquer interesse. Enquanto país nunca, em qualquer altura da sua história, deixou de fazer a guerra (quase sempre acompanhada da brutalidade genocida) ou provocar conflitos bélicos com quem quer que fosse, e continuará a fazê-lo sem que se vislumbre como se poderá fazer frente à voracidade sanguinária do exército e regime imperialista neo liberal de Washington, apoiado pelos seus aliados europeus.



Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

A Evolução Torna-se Revolução


Planeta Dos Macacos, a Origem

Um filme realmente arrebatador se não se for visto numa atitude particularizada e crítica, mas sim despojado de preconceitos e perfeccionismos realistas. Claro que se formos esmiuçar o filme encontramos contradições temporais e etimológicas, mas, cum caraças, não se trata de um filme realista, por amor dos deuses, é um filme de ficção e ação, com um argumento que até não fere suscetibilidades mais intelectuais, e quase sempre sujeito a uma grande tensão sequencial muito bem estruturada…

Como qualquer filme de ação adapta situações a conveniências visuais, como por exemplo o exagerado número de símios que César consegue reunir só na cidade de S. Francisco, e outras particularidades, mas esses detalhes não me afetam nem um pouco. Ao contrário da maior parte dos outros filmes de ficção que, como este, dependem sobretudo dos efeitos especiais, aqui não é a extravagância que impera, mas uma certa inquietação tensa, que raramente se deixa cair em excessos ingénuos.

A mensagem também é clara e inequívoca. Quer os defensores da superioridade humana a qualquer preço queiram, quer não, nós somos mesmo os maus da fita, e só respeitamos uma única coisa neste mundo, coisa essa inventada por nós, como não podia deixar de ser… O dinheiro. O filme, para além do seu óbvio fator de entretenimento é também uma repreensão ao alheamento ambientalista motivado pela vaidade e arrogância humanas.

Mota Vai de Carrinho


Como é muito feio ter inveja, não posso deixar de publicamente exprimir o meu regozijo pelo facto de que, o Vexa. o Senhor Doutor Advogado Professor Pedro Mota Soares, excelsíssimo e digno dirigente da nação, que tanto esforço despende pelo bem-estar dos muitos que pouco têm, desloca-se agora mais de acordo com a sua elevada posição dirigente, num veículo equiparado ao seu real valor tanto humano como profissional.

Sei que foi obrigado a aceitar o presente e nada podia fazer contra isso a não ser assumir o papel de idiota perante os seus pares e não usufruir do dito cujo. Por isso e pelo rigor e coerência demonstrados, o meu enorme bem-haja ao nobre governante que com tanto altruísmo e abnegação nos mostra o caminho a seguir para o sucesso desta vossa árdua empresa em que todos nos temos de empenhar para que os extremamente ricos nunca o deixem de ser e de proporcionar trabalho escravo a quem os sustenta…

Bravo, Mota, assim é que é, acabas de provar cabalmente que, gastar num dia o que muitos dos que a tua associação de ladrões coleta para pagarem a viatura, não conseguem ganhar numa vida, só é correto se se tratar de fazer justiça ao nome do teu ministério… Da Solidariedade (para com a anterior associação de gatunos que comprou a máquina e teve o cuidado de deixar o contrato blindado, que é para verem a superior inteligência de quem nos governa), e da Segurança Social (como é comprovado pela lei da cissiparidade, a sociedade pedonal sente-se muito mais segura e solidária se vislumbrar um veículo destes a circular nas proximidades).







Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Bom Povo Português

Imagem de manifestação na Coreia do Sul

A melhor que ouvi acerca da greve geral de ontem e manifestações decorrentes foi um comentário de um jornalista estrangeiro (acho que inglês) a um canal português, onde afirmou mais ou menos o seguinte: “Aqui em Portugal, quando as pessoas se manifestam contra o estado das coisas parece que vão todas num passeio de domingo”. Acho que não é necessário dizer mais nada, pois não?

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Aforismos XXX


Os jovens são atraídos pelas ideias redentoras e pelas mulheres, e acreditam nas mulheres com a mesma paixão que nas ideias.

As mulheres raciocinam de modo diferente dos homens e é estúpido empenharmo-nos em entendê-las, ou em que elas nos entendam.

Umas pernas de mulher são um excelente caminho para regressar à realidade.

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Extradição o Tanas, Pelo Menos Por Agora


O Tribunal da Relação recusou hoje a extradição para os EUA de George Wright, procurado pelo governo americano há 41 anos. Prontamente a Embaixada dos EUA divulgou uma nota de imprensa que diz o seguinte:

“Estamos extremamente desapontados com a decisão do Tribunal da Relação. George Wright é um assassino condenado por um crime extremamente grave que se enquadra inteiramente nos termos do nosso tratado bilateral de extradição com Portugal. É um fugitivo. Esperamos que Portugal aja neste caso em conformidade com as obrigações impostas pelo tratado de extradição. Vamos analisar a decisão do tribunal e dialogar com as autoridades portuguesa para determinar um caminho a seguir que resulte no regresso de George Wright aos Estados Unidos”.

Nesta ordem de ideias, George W. Bush e o seu séquito de algozes deviam ser extraditados, primeiro para o Afeganistão e depois para o Iraque para responderem por crimes de genocídio e destruição de propriedade. Obama e a sua corja de carniceiros deviam ser extraditadas para o Iraque e para a Líbia para responder pelos mesmos crimes. E, se houvesse realmente justiça, todos seriam postos nas ruas de Bagdad e de Kabul, circulando apeados e desarmados até alguma bomba lhes rebentar nas gengivas ou levarem com um balázio nos genitais
.

A Europa Está a Destruir os Fracos Para Proteger os Fortes. Mas Será Suficiente?


Por James K. Galbraith

A crise na "zona euro" é uma crise bancária que ambiciona ser uma série de crises de dívida nacional, complicadas por ideias económicas reaccionárias, por arquitecturas financeiras defeituosas e por ambientes políticos tóxicos, especialmente na Alemanha, na França, na Itália e na Grécia.

Tal como a americana, a crise bancária europeia é o produto da excessiva concessão de empréstimos a clientes fracos, incluindo o crédito para habitação em Espanha, o comercial imobiliário na Irlanda e o setor público (parcialmente para infra-estruturas) na Grécia. Os bancos europeus alavancaram-se para comprar hipotecas tóxicas americanas e quando estas entraram em colapso, começaram a despejar os seus fracos títulos soberanos para comprar outros fortes, conduzindo para cima os rendimentos e finalmente forçando toda a periferia europeia para dentro da crise. A Grécia foi simplesmente o primeiro dominó da linha.

Em tais crises, a primeira defesa dos bancos é mostrar surpresa – "como é que alguém ia prever isto!” – e culpar os seus clientes por imprudência e falsidade. Isto, em parte é verdade, mas obscurece o facto de que os banqueiros pressionaram os empréstimos muito arduamente enquanto as taxas eram gordas. A defesa funciona melhor na Europa do que nos EUA porque fronteiras nacionais separam credores de devedores, sujeitando os líderes políticos na Alemanha e França aos seus banqueiros e promovendo uma narrativa de racismo nacional ("gregos preguiçosos", "italianos irresponsáveis").

Subjacente ao poder do banqueiro na "Europa Credora" está uma sensibilidade calvinista que transformou excedentes em símbolos de virtude e défices em marcas de vício, enquanto fetichizava a desregulamentação, privatização e ajustamento conduzidos pelo mercado. Os europeus do norte esqueceram que a integração económica concentra sempre a indústria (e mesmo a agricultura) nas regiões mais ricas.

Enquanto este processo se desdobra os alemães recolhem as rendas e instruem os clientes recentemente endividados a cortarem salários, liquidarem ativos e abandonarem as suas pensões, escolas, universidades e cuidados de saúde – muitos dos quais eram de segunda classe. Actualmente as instruções tornaram-se ordens, entregues pelo FMI e pelo BCE, demonstrando aos novos peões da dívida europeus que eles já não vivem em estados soberanos e democráticos.

O original encontra-se em http://www.salon.com/2011/11/10/the_crisis_in_the_eurozone/singleton/ .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Organização do Futuro Unido


Hoje deu-me uma nostalgia acústica que redundou em copiosas saudades da genialidade musical dessa associação de dois japoneses e um francês que, em 1990, iniciaram aquele que foi um dos projectos mais fascinantes da história da música de todos os tempos; a United Future Organization.

Escrevi, "foi", porque em 2002, após o lançamento do ultimo disco de originais até à data, Toshio Matsuura abandonou o grupo e, se bem que este oficialmente ainda exista como duo -Tadashi Yabe e Raphael Sebbag -
, não mais foi editado qualquer álbum de originais. (Em 2006, com produção dos UFO, foram editados pela etiqueta Universal, no Japão, três CD com 48 temas de remisturas e raridades do grupo intitulados UFOs For Real Scene 1, 2 & 3).

Decorria o ano de 1993 quando, pela primeira vez, ouvi um tema dos UFO, numa emissora radiofónica da altura (na XFM, se a memória não me engana). A faixa era On Est Ensemble Sans Se Parler - (with L.O.V.E) e logo aquele som organizadamente inqualificável inspirou-me uma rara confiança musical, que se me veio a revelar conceptualmente enaltecedora de elevados valores, como a co-existência pacífica, a liberdade política e o amor sacrificial.

Ano após ano aguardava ansiosamente pelo próximo trabalho do grupo, na certeza de que, libertos de estéreotipos que vinculassem a sua música a fórmulas estilísticas, cada álbum era um triunfo de inovação na vanguarda musical e qualquer um era sempre melhor que algum dos outros.


Difícil de caracterizar na sua globalidade e a nada comparável, a música dos UFO é uma dádiva auditiva, fundindo com surpreendente originalidade e perfeição técnica, electrónica e jazz, algumas vezes com assombros bizarros, outras com enlevos espirituais, mas sempre derrubando as barreiras do preconceito e fazendo despertar o encontro de todos os sons e culturas para a criação de um novo conceito moral de vida.

A discografia oficial em termos de álbuns de originais é a seguinte:



Jazzin' (1991)












United Future Organization (1993)














No Sound is Too Taboo (1994)













3rd Perspective (1996)












Bon Voyage (1999)













V(2001)












De salientar ainda a produção pela banda dos dois volumes da excelente compilação Multidirection, quase exclusivamente dedicados a músicos e agrupamentos japoneses.

Por entre todos os temas dos UFO disponíveis no Youtube, difícil é escolher. Aqui está um do 3º álbum.




Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Bárbaros Costumes, Crenças Dementes, Trágicas Consequências


O rinoceronte negro que habitava na região onde actualmente é a república dos Camarões foi declarado oficialmente extinto. Outros se seguirão. Onde se estabelece o homem económico não existe cá lugar para espécies que nem sabem o que é a civilização e ainda por cima têm o desplante de não se deixarem domesticar.

È fazer valer a nossa superioridade cobarde de especialistas em matar à distância e aniquilà-los, enquanto se puder sacar dinheiro sangrento com o seu chifre, para que alguns filhos de puta, acéfalos asiáticos, se iludam na ejaculação da sua micro fálica imbecilidade perversa de homens das cavernas.

Mais dias de luto para o planeta graças à desfaçatez do único animal desprezível que o habita.




Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Os Bárbaros Nucleares


Por Samir Amin

"O objectivo confesso da nova estratégia hegemónica norte-americana é prevenir a emergência de qualquer outra potência que possa ser capaz de colocar resistência face às injunções de Washington. É pois necessário desmantelar países que se tornaram demasiado “grandes”, de modo a criar o máximo número de satélites prontos e dispostos a aceitar bases norte-americanas no seu solo, para sua “protecção”. Como todos os seus últimos três presidentes (Bush sénior, Clinton e Bush júnior) concordaram, um único país tem o direito a ser “grande”, que é naturalmente os Estados Unidos da América.

Neste sentido, a hegemonia dos EUA depende em última análise do seu poder militar desproporcionado, mais do que de alguma específica “vantagem” do seu sistema económico. Graças a este poder, os EUA podem afirmar-se como o dirigente incontestado da máfia global, cujo “punho visível” imporá a nova ordem imperialista àqueles que poderiam de outro modo estar relutantes em entrar nos eixos.

Encorajada pelos seus recentes sucessos, a extrema-direita tem agora um firme controlo das rédeas do poder em Washington. A opção oferecida é clara: ou aceitar a hegemonia dos EUA, com o ultra-reforçado “liberalismo” que ela promove e que pouco mais significa que uma exclusiva obsessão com ganhar dinheiro – ou rejeitá-los a ambos. No primeiro caso, estaremos a dar a Washington livres poderes para “redesenhar” o mundo à imagem do Texas. Só escolhendo a segunda alternativa poderemos ser capazes de fazer algo para ajudar a reconstruir um mundo que seja essencialmente pluralista, democrático e pacífico.

Se tivessem reagido em 1935 ou em 1937, os europeus poderiam ter sido capazes de deter a loucura nazi antes que ela tivesse feito tanto mal. Adiando até 1939, contribuíram para as suas dezenas de milhões de vítimas. É nossa responsabilidade actuar agora, para que o desafio neo-nazi de Washington possa ser contido e eliminado."

O prémio Nobel da Paz em 2009, a coberta da mesma treta de sempre, está mortinho por iniciar um conflito nuclear apocalíptico de parceria com os seus aliados do costume.



Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Aforismos XXIX


Estou convencido que o remédio para as desventuras humanas se encontrará no dia em que alguém inventar uma maneira simbólica universalmente satisfatória e não demasiado cara de matar o pai dos homens e a mãe das mulheres, seguindo-se depois uma etapa da evolução teológica que consista em eliminar da Trindade o nome do pai, que é um conceito alienante.

Há uma classe de pessoas, lamentavelmente reduzida, que caminha sobre o fio da navalha, com a qual nunca sabemos o que contar, se são loucos ou brincalhões, e que podemos atrever-nos a considerar a realização perfeita de um ideal de vida, precisamente a dos que perderam toda a fé nos ideais e não consideram indispensável suicidarem-se.

Tanto se aprende a conhecer os homens nas altas esferas como nas populares, com a diferença de que nas altas vai-se ter de enfrentar a hipocrisia e, nas baixas, a sinceridade; uma e outra são perigosas, mas como experiência, necessárias.

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Mentiras Invertidas



Excerto de um artigo de John Pigel

Em 1984, George Orwell descreveu um super-estado chamado Oceânia, cuja linguagem de guerra invertia mentiras que "passaram à história e tornaram-se verdades. 'Quem controla o passado', apregoava o slogan do partido, 'controla o futuro: quem controla o presente controla o passado'."

Barack Obama é o líder da Oceânia contemporânea. Em dois discursos no encerrar da década, o belicoso Prémio Nobel da Paz afirmou que a paz não era mais paz, mas em vez disso uma guerra permanente que "se estende bem para além do Afeganistão e do Paquistão", para "regiões desordenadas e inimigos difusos". Ele chamou a isto "segurança global" e pediu a nossa gratidão.

Abaixo da superfície, contudo, há um objectivo sério. Para o carniceiro general Stanley McCrystal, que se distinguiu pelos seus esquadrões de assassinos no Iraque, a ocupação do Afeganistão, um dos países mais empobrecidos é um modelo para aquelas "regiões desordenadas" do mundo ainda além do alcance da Oceânia. Isto é conhecido como COIN, ou rede de contra-insurgência (counter-insurgency network), a qual mobiliza, em conjunto, militares, organizações de ajuda, psicólogos, antropólogos, a comunicação social e assalariados de relações públicas. A coberto da patranha acerca de ganhar corações e mentes, o seu objectivo é atiçar um grupo étnico contra outro e incitar a guerra civil: tajiques e uzbeques contra pashtuns.

Os americanos fizeram isto no Iraque e destruíram uma sociedade multi-étnica. Corromperam e construíram muralhas entre comunidades que outrora se casavam entre si, fizeram limpeza étnica dos sunitas e expulsaram milhões para fora do país. Os meios de comunicação social incorporados [às tropas] relataram isto como "paz" e académicos americanos comprados por Washington e por "peritos em segurança" instruídos pelo Pentágono apareceram na BBC para difundir as boas notícias. Tal como em 1984, a verdade era o oposto.

Por trás de tudo isto também estão os israelitas, os quais há muito aconselham os americanos tanto nas aventuras do Iraque como do Afeganistão. Limpeza étnica, construção de muralhas, postos de controlo (checkpoints), punição colectiva e vigilância constante – são inovações israelitas que tiveram êxito em roubar a maior parte da Palestina do seu povo nativo. E apesar de todo o seu sofrimento, os palestinianos não foram divididos irreversivelmente e aguentam-se como nação contra todas as adversidades.

Os mais notáveis antecessores do Plano Obama, aqueles que o vencedor do Prémio Nobel da Paz, os seus sanguinários generais e os seus homens de relações públicas preferem esquecer, são aqueles que fracassaram no próprio Afeganistão. Os britânicos no século XIX e os soviéticos no século XX [1] tentaram conquistar aquele país selvagem pela limpeza étnica e foram expulsos, embora apesar de terríveis banhos de sangue. Os cemitérios imperiais são os seus monumentos comemorativos. O poder do povo, por vezes desconcertante, muitas vezes heróico, permanece em semente sob a neve e os invasores temem-no.

"Era curioso", escreveu Orwell em 1984, "pensar que o céu era o mesmo para todos, na Eurásia ou na Ásia de Leste assim como aqui. E as pessoas sob o céu também era muito parecidas, por toda a parte, por todo o mundo ... pessoas ignorando a existência umas das outras, mantidas à parte por muralhas de ódio e mentiras, e ainda assim quase exactamente as mesmas pessoas que ... estavam a armazenar nos seus corações, barrigas e músculos o poder que um dia transformaria o mundo".

[1] A afirmação é absurda pois os soviéticos nunca tentaram "conquistar" o Afeganistão e muito menos efectuar qualquer "limpeza étnica". A intervenção soviética deu-se a pedido do governo então democrático do Afeganistão, desestabilizado pelos atentados terroristas organizados e financiados pela CIA (em conluio com os serviços secretos do Paquistão). A intervenção da URSS no Afeganistão foi uma manifestação de internacionalismo e do seu apoio ao progresso social e à libertação dos povos. Com esta frase John Pilger mostra que mantém preconceitos anti-soviéticos. [NR]

Este excerto, escrito em Dezembro de 2009 foi publicado em http://resistir.info/.

O original pode ser lido em
http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16701.