
O afastamento da vida dos humanos do contato com a ordem natural das coisas, ao invés de proporcionar mais felicidade, produz uma ansiedade constante de busca pela posse de tudo o que é supérfluo, transmutado pelos agentes de propaganda como essencial e assimilado pela sociedade civilizada cada vez mais consolidada na obsessão do sexo do estômago e da ambição.
Curioso é que, ao tomarmos posse desses bens, indicadores hierárquicos da escala social civilizada, logo novos e assombrosos produtos aliciantes os substituem, mantendo-nos escravos de sistemas económicos governamentais apostados em cimentar a desigualdade, a inimizade e a contenda tanto entre concidadãos como, decorrente de ganâncias económicas muito mais obscenas, entre raças diferentes.
Entregue a si próprio e sem uma figura soberana de referência, a perversidade inerente ao caracter do homem civilizado é demasiado arreigada para que dela se possa contar com algo mais do que devastação, ganância, ódios, litígios, animosidades, mas também está mais que comprovado que não é com sistemas políticos constitucionais que se alcança a equidade social, uma vez que estes realmente não governam mas antes são governados pelas poderosas companhias económicas. Então qual a solução?
Pessoalmente não tenho qualquer tipo de esperança em que a verdadeira liberdade seja alguma vez estabelecida e que a humanidade reverta o estado das situações a que chegou, pela simples razão de que a maioria não está em condições de aceitar o oposto do que existe, isto é, drástica redução do consumo, mais fraternidade e mais partilha (escrever "mais" é hilariantemente triste, porque pressupõem que hoje em dia existe "alguma").
Todas as soluções que possam converter a atual sociedade consumista numa sociedade justa e modular passam por uma completa irradicação de qualquer sistema económico e pela redução rigorosa do número de seres humanos.
Um exemplo de quanto seria necessária a redução de seres humanos pode-se aferir da notícia que li hoje num jornal e que tem o seguinte cabeçalho: "Cerca de 50 pessoas participaram numa feira em Lisboa onde a troca é a única moeda"... Leram bem?... 50 pessoas... Meus deuses, está tudo contente com a condição de escravo... Se alguma vez a notícia for: "Cerca de 50 pessoas NÃO participaram na feira onde a troca é a única moeda", então a humanidade estará no bom caminho. Até lá é dois passos prá frente, três pra trás!

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