quinta-feira, 16 de março de 2017

Ultimo Andamento


Será gratificante a adaptação a uma sociedade tão exclusivamente orientada para a cobiça e para o egocentrismo em detrimento da busca do próprio ser?... Será gratificante a adaptação a uma sociedade cheia de armadilhas e artimanhas, governada por dirigentes corruptos, deslumbrados e ávidos, que realça valores secundários e nega ideais louváveis?... Será gratificante a adaptação a uma sociedade onde os desejos de uns poucos, os mais perversos, se convertem nos desejos dos demais?... Será gratificante a adaptação a uma sociedade perversa e diminuída onde os animais são utilizados como formas descartáveis de entretenimento?... Será gratificante a adaptação a uma sociedade onde, apesar do desengano coletivo e do mercantilismo crescente, a maioria das pessoas contenta-se com o seu espirito de rebanho e encaminha os seus potenciais até ao materialismo mais grosseiro e para o que é mais banal e supérfluo?...

A conclusão a que chego, nesta altura avançada da vida é que não, não é nada gratificante… E, até que a morte surja, está-se sempre a tempo de tentar, canalizando todas a energia que temos, aflorar e aprofundar o mais possível um entendimento de ordem superior que é aquilo que deve distinguir um ser humano e do qual, a maioria dos homens carece. Não pretendo convencer alguém de coisa alguma; quem acha que não deve mudar a sua mente e que está muito bem assim, pois que esteja… Eu tenho a certeza do que quero fazer e começarei, pois, por tratar a minha parte emocional e os campos de energia, abstraindo da minha mente a inata tendência humana para a avidez, ao mesmo tempo que tentarei afastar-me da agressividade, da violência e da falta de amor que a cada dia se tornam maiores nesta civilização hipertécnica. Estou continuando a busca daquilo que eu ainda não sou e esta demanda que agora tenho oportunidade de abraçar de corpo e alma é obviamente incompatível com um certo tipo de vivência urbana tecnológica… Daí que esta deverá ser a minha última publicação por aqui…
 
 
Estou consciente que o maior perigo da existência é levar uma vida de miséria, espalhando o lixo à nossa volta, criando conflitos e deixando-nos tomar pelos fantasmas da malevolência. Tudo o que se fizer tem de ser feito com compaixão e respeito. Amargura é o que os seres humanos provocam uns aos outros. Essa é a verdadeira amargura. Sem os homens este planeta podia ser um paraíso, apesar das vicissitudes. Se a mentalidade das pessoas não mudar, o sofrimento irá aumentando e ainda se vão cometer mais horrores. Se não houver um renascimento para uma forma mais lúcida e compassiva de viver a vida, não haverá facilidades para as criaturas que habitam este planeta. É necessário que seja fácil compreender que a única saída é a compaixão real.
O mais terrível holocausto que existe no mundo é o dos animais.... É aterrador… Ainda que fosse só por um digno sentimento ecológico, devíamos ser todos vegetarianos; todos… O instinto de morte do ser humano é insaciável. Trata os animais como se tivessem sido postos no mundo para satisfazer as suas necessidades, enquanto eles são muito anteriores ao ser humano. O homem é a pior das feras. Os humanos são brutais, com um paupérrimo nível de consciência. São a desfeita do planeta. Para que isto mude só depende de ser possível que o homem se aperceba que tomou em quase tudo um caminho errado e corrija a sua atitude e a sua conduta. Não é fácil; é difícil. A libertação é um assunto pessoal. Estamos ainda muito longe da libertação em massa. Eu estou a tratar da minha…


Os humanos puseram-se ao serviço do lado mais destrutivo da existência e nem sequer respeitam os seus ciclos construtivos, antes apoiam a sua vertente mais violenta e destrutiva. O que fazem os homens uns aos outros? O que fazem os homens aos animais? Quando o ser humano evoluir, se conseguir alguma vez fazê-lo, nunca mais voltará a sacrificar um só animal, nem sequer para comer. A lima purifica, a manga também. Há tantos frutos, verduras, legumes… Porque temos de sacrificar essas criaturas maravilhosas que são os animais?… E explorar as crianças?… E maltratar as mulheres?… E perseguir o próprio benefício em detrimento do benefício dos outros?...

É necessário que se tome consciência que cada ser humano tem de tratar de mudar a sua mente se realmente quer aspirar a uma sociedade onde não se cometam erros tão terríveis que originam o sofrimento atroz de centenas de milhar de pessoas e de milhões de amimais. Os poucos verdadeiros seres humanos que existem não devoram, não odeiam, não são cobiçosos, não destroem, não magoam. Aqueles que têm alguma consciência têm o dever de aproveitá-la, evitando magoar qualquer ser sensível e não entrando no jogo do devorar. A vida de cada um não será em vão se cada um a enobrecer e tratar de evoluir. Se alguma vez profanarmos alguma coisa que o façamos com humildade, respeito profundo e amor.
Obrigado a Ramiro Calle.
Fim.

 

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